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Atestado médico no trabalho: lei, recusa e acompanhamento

✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741

Atestado médico no trabalho: o que diz a lei, se a empresa pode recusar, desconto no salário e nas férias, 15 dias, acompanhamento, atestado de horas e falso.

Atestado médico no trabalho: o que diz a lei

A doença comprovada é motivo justificado de falta, e a lei que trata disso é a do repouso semanal, a Lei 605, de 1949 (art. 6º, § 1º, f). Com a falta justificada, o empregado não perde o salário do dia nem o descanso semanal remunerado da semana (art. 6º, caput). Os primeiros 15 dias de afastamento por doença são pagos pela empresa, e a partir daí entra o INSS (Lei 8.213/1991, arts. 59 e 60, § 3º).

A empresa pode recusar atestado médico?

A lei tem uma ordem de preferência para o atestado: primeiro o médico da Previdência; na falta dele, e nessa sequência, o do SESC ou do SESI, o da empresa ou por ela designado, o de repartição pública de saúde e, não existindo esses na localidade, o médico que o empregado escolher (Lei 605, art. 6º, § 2º).

O TST manda observar essa ordem para o pagamento do dia e do descanso semanal (Súmula 15). O serviço médico da empresa, próprio ou por convênio, é quem abona os primeiros 15 dias (Súmula 282 do TST).

Na prática, o TST olha o motivo da recusa. Em 2014, manteve a recusa de atestados com assinaturas diferentes do mesmo médico, emitidos no mesmo dia, por indício de fraude. Em 2025, manteve a anulação da dispensa de um gerente feita durante licença de 90 dias, porque a empresa não justificou por que não aceitou o atestado.

Na leitura do escritório, a recusa precisa de motivo concreto, e o empregado deve guardar cópia do atestado e o comprovante de entrega.

Atestado médico desconta do salário ou das férias?

Aceito o atestado, a falta é justificada, e o dia e o descanso semanal são pagos (Lei 605, art. 6º).

Para as férias, a CLT diz que não conta como falta a ausência por doença atestada pelo INSS e a justificada pela empresa, que é a que não teve desconto de salário (art. 131, III e IV). Ou seja, atestado aceito sem desconto não reduz as férias. Como as faltas reduzem os dias de férias está em férias vencidas.

Atestado de 15 dias: quem paga

O períodoQuem pagaA regra
Os primeiros 15 dias seguidosA empresaLei 8.213, art. 60, § 3º
Depois do 15º diaO INSS, pelo auxílio-doençaLei 8.213, art. 59; Decreto 3.048, art. 75, § 2º
Novo afastamento pelo mesmo motivo em até 60 diasO INSS, sem novos 15 dias pela empresaDecreto 3.048, art. 75, §§ 3º e 4º

Ou seja, atestados seguidos pela mesma doença, dentro de 60 dias, se somam para a conta do INSS.

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Quando a doença vem do trabalho, as regras mudam, como está em burnout e afastamento e em acidente de trabalho.

Atestado de acompanhamento abona falta?

A CLT só garante três situações de acompanhamento ou exame sem desconto:

A situaçãoO que a CLT garante
Acompanhar a esposa ou companheira grávidaAté 6 consultas ou exames (art. 473, X)
Acompanhar filho de até 6 anos em consulta1 dia por ano (art. 473, XI)
Fazer exames preventivos de câncerAté 3 dias a cada 12 meses (art. 473, XII)

Fora disso, a lei deixa o abono a critério da empresa (Lei 605, art. 6º, § 1º, b), e a convenção coletiva da categoria pode prever mais. Ou seja, o atestado de acompanhamento do pai idoso ou do filho mais velho depende do que a empresa e a convenção aceitam.

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Atestado de horas

A lei não trata do atestado de horas em separado. Na leitura do escritório, ele justifica o período que declara, e o restante do dia segue a regra geral da jornada.

Atestado digital e atestado falso

Em dezembro de 2025, o Conselho Federal de Medicina publicou que os atestados físicos e digitais são válidos em todo o país. O atestado falso é outra história. Em 2019, a SDI-1 do TST manteve a justa causa de um servente de lavoura que apresentou atestados falsos, por ato de improbidade (CLT, art. 482, a), e disse que a gravidade do ato dispensa a gradação de punições. Como a justa causa se discute está em justa causa.

Se a empresa recusou o seu atestado, descontou o dia ou dispensou você durante o afastamento, mande um resumo pelo WhatsApp. A conversa inicial diz o que dá pra cobrar.

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Demitido com atestado

Quando o empregado passa a receber auxílio-doença durante o aviso prévio indenizado, o TST diz que a dispensa só produz efeito depois que o benefício termina (Súmula 371). Se a dispensa vem logo depois de um diagnóstico grave, a discussão pode ser de discriminação, explicada em demissão discriminatória.

O prazo para cobrar

Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação (Constituição, art. 7º, XXIX). Dá pra cobrar ainda trabalhando na empresa. Lembrando que o caminho da ação está em processo trabalhista.

O que faz um advogado trabalhista, quando procurar e como ele cobra está em advogado trabalhista.

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Resumindo:

A perguntaA resposta
Atestado desconta do salário?Aceito, não: o dia e o descanso semanal são pagos
A empresa pode recusar?A lei tem uma ordem de preferência; a recusa precisa de motivo
Quem paga 15 dias de atestado?A empresa; depois, o INSS
Atestado de acompanhamento abona?Nas hipóteses da CLT, sim; nas demais, depende da empresa ou da convenção
Atestado desconta nas férias?Aceito sem desconto, não conta como falta
Atestado falso dá justa causa?Sim, por improbidade

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Perguntas frequentes

O que diz a lei sobre atestado médico no trabalho?
A doença comprovada é motivo justificado de falta, e o empregado não perde o salário do dia nem o descanso semanal (Lei 605/1949, art. 6º). Os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa, e depois entra o INSS (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º).
A empresa é obrigada a aceitar atestado médico?
A lei tem uma ordem de preferência para o atestado: médico da Previdência; na falta, SESC ou SESI, médico da empresa, repartição pública de saúde e, não existindo esses, médico de escolha do empregado (Lei 605, art. 6º, § 2º; Súmula 15 do TST).
A empresa pode recusar atestado médico?
O TST aceitou a recusa quando havia indício de fraude, como assinaturas diferentes do mesmo médico (2014), e anulou dispensa quando a empresa não justificou a recusa do atestado (2025). Na leitura do escritório, a recusa precisa de motivo concreto.
Atestado médico desconta do salário?
Aceito o atestado, não: a falta é justificada, e o dia e o descanso semanal são pagos (Lei 605/1949, art. 6º, § 1º, f).
Atestado médico desconta nas férias?
A ausência justificada pela empresa, sem desconto de salário, e a doença atestada pelo INSS não contam como falta para as férias (CLT, art. 131, III e IV).
Quem paga atestado de 15 dias?
A empresa paga os primeiros 15 dias seguidos; depois, o INSS paga o auxílio-doença (Lei 8.213/1991, arts. 59 e 60, § 3º).
Atestados seguidos pela mesma doença se somam?
Para o INSS, sim: novo afastamento pelo mesmo motivo em até 60 dias não gera novos 15 dias a cargo da empresa (Decreto 3.048/1999, art. 75, §§ 3º e 4º).
Atestado de acompanhamento abona falta?
A CLT garante acompanhar a esposa ou companheira grávida em até 6 consultas, o filho de até 6 anos em 1 consulta por ano e fazer exames preventivos de câncer por até 3 dias por ano (art. 473, X a XII). Nos demais casos, depende da empresa ou da convenção.
Atestado de acompanhamento de pai idoso abona falta?
A CLT não prevê esse caso entre as faltas sem desconto. O abono fica a critério da empresa (Lei 605, art. 6º, § 1º, b) ou do que a convenção coletiva da categoria prever.
Atestado de horas abona o dia todo?
A lei não trata do atestado de horas em separado. Na leitura do escritório, ele justifica o período que declara, e o restante do dia segue a regra geral da jornada.
Atestado digital é válido?
Em dezembro de 2025, o Conselho Federal de Medicina publicou que os atestados físicos e digitais são válidos em todo o país.
Atestado médico falso dá justa causa?
Dá. Em 2019, a SDI-1 do TST manteve a justa causa por ato de improbidade de um empregado que apresentou atestados falsos (CLT, art. 482, a).
Posso ser demitido com atestado médico?
Se o auxílio-doença começa durante o aviso prévio indenizado, a dispensa só produz efeito depois do fim do benefício (Súmula 371 do TST). Em 2025, o TST anulou dispensa feita durante licença médica de 90 dias.

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Dr. Fabrício Santos Cruvinel

Dr. Fabrício Santos Cruvinel — OAB 51.741

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Fontes e base legal

Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados

Lei 605/1949, art. 6º; CLT, arts. 131, 473 e 482; Lei 8.213/1991, arts. 59 e 60; Decreto 3.048/1999, art. 75; Constituição, art. 7º, XXIX (Planalto); TST, Súmulas 15, 282 e 371; TST, notícias de 05/02/2014, 07/02/2019 e 22/04/2025; CFM, notícia de 10/12/2025.

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