Burnout: afastamento pelo INSS, estabilidade e direitos
✓ Atualizado em 2 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741
Burnout no trabalho: se é doença ocupacional, afastamento e INSS, como provar, estabilidade de 12 meses, demissão durante o afastamento, indenização e prazo.
Burnout: o que é
O Ministério da Saúde define a Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, como um distúrbio emocional com exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de trabalho desgastante, e aponta o excesso de trabalho como a principal causa. O diagnóstico é feito por psiquiatra ou psicólogo. Na CID-10, o código é Z73.0, que o próprio ministério lista entre os transtornos mentais relacionados ao trabalho.
O ministério orienta procurar ajuda nos primeiros sinais.
Burnout é doença ocupacional?
Segundo o TST, a Organização Mundial da Saúde oficializou o burnout em 2019 e, em janeiro de 2022, o reconheceu como doença ocupacional.
Na lei brasileira, a doença do trabalho é a adquirida ou desencadeada pelas condições em que o trabalho é feito, e ela é considerada acidente do trabalho (Lei 8.213/1991, art. 20). Mesmo a doença fora da lista oficial é tratada como acidente do trabalho quando resulta das condições especiais do trabalho (§ 2º). A perícia do INSS também reconhece a natureza acidentária pelo nexo entre a atividade da empresa e a doença (art. 21-A).
Ou seja, quando o burnout vem do trabalho, a lei o equipara a acidente de trabalho, e isso muda o afastamento, o FGTS e a estabilidade.
Afastamento por burnout: quem paga e por quanto tempo
| O período | Quem paga | A regra |
|---|---|---|
| Os primeiros 15 dias | A empresa, com o salário integral | Lei 8.213, art. 60, § 3º |
| Depois de 15 dias | O INSS, pelo auxílio-doença | Art. 59 |
Quando a doença é do trabalho, o auxílio-doença não depende de carência (art. 26, II). O tempo de afastamento depende da perícia. O Ministério da Saúde diz que o tratamento, com psicoterapia e às vezes remédios, surte efeito entre um e três meses, e pode durar mais.
Na licença por acidente do trabalho, a empresa continua obrigada a depositar o FGTS (Lei 8.036/1990, art. 15, § 5º).
Como provar burnout no INSS e na empresa
O diagnóstico vem do psiquiatra ou do psicólogo, e a perícia do INSS pode reconhecer o nexo com o trabalho (art. 21-A). Na Justiça do Trabalho, a prova não depende só do INSS. Em 2015, o TST restabeleceu a estabilidade de uma analista com burnout que o tribunal regional tinha negado por falta de atestado da Previdência, porque a doença estava provada por perícia médica.
Na leitura do escritório, ajudam os laudos com o CID e as datas, os atestados, os registros de jornada e de metas e as mensagens que mostrem a pressão. A comunicação do acidente, que é a CAT, está explicada em acidente de trabalho.
Guarde cada laudo e atestado.
Se você foi afastado por burnout, ou foi dispensado durante ou depois do afastamento, mande um resumo pelo WhatsApp. A conversa inicial diz o que dá pra pedir.

Burnout dá estabilidade?
A lei garante 12 meses de estabilidade depois do fim do auxílio-doença acidentário (Lei 8.213, art. 118). O TST exige afastamento de mais de 15 dias com o benefício acidentário, salvo quando a doença profissional ligada ao trabalho é constatada depois da dispensa (Súmula 378, II), e aplica a regra também ao contrato por prazo determinado (item III).
Confira o tipo de benefício na carta do INSS.
Demitido durante ou depois do afastamento
Em 2025, o TST manteve a anulação da dispensa de um gerente feita durante uma licença médica de 90 dias por burnout, porque a empresa não justificou por que não aceitou o atestado. No caso da analista de 2015, a empresa foi condenada a pagar as verbas do período de estabilidade e indenização por danos morais e materiais.
Doença não está entre as hipóteses de justa causa da CLT (art. 482). Quando a dispensa vem logo depois do diagnóstico, a discussão pode ser também de discriminação, explicada em demissão discriminatória.
Indenização por burnout
Segundo a relatora do caso de 2015, o TST reconheceu várias vezes o dano moral quando demonstrado o esgotamento profissional ou a imposição de metas acima do razoável. Naquele processo, a sentença restabelecida pelo TST tinha fixado R$ 20 mil de dano moral.
Quando o burnout vem de humilhação e pressão de um chefe, o caminho é o de assédio moral no trabalho, e, quando vem de jornada sem fim, o de dano existencial.
Posso pedir demissão com burnout?
Na leitura do escritório, pedir demissão pode fazer perder a estabilidade e parte das verbas, e o que muda no acerto está em pedido de demissão. Na mesma leitura, quando a empresa causou a doença, pode caber a rescisão indireta (CLT, art. 483), explicada em rescisão indireta.
Converse antes de assinar qualquer pedido.
O prazo para cobrar
Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação (Constituição, art. 7º, XXIX). Dá pra cobrar ainda trabalhando na empresa. Lembrando que o caminho da ação está em processo trabalhista.
O que faz um advogado trabalhista, quando procurar e como ele cobra está em advogado trabalhista.
O escritório Santos Cruvinel atende causas trabalhistas em todo o Brasil, com atendimento online. O que faz um advogado nesses casos está em advogado acidente de trabalho. Se quiser uma avaliação do seu caso, chame no WhatsApp.
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Falar com um advogado no WhatsAppResumindo:
| A pergunta | A resposta |
|---|---|
| Burnout é doença do trabalho? | Quando vem do trabalho, a lei o equipara a acidente de trabalho |
| Quem paga o afastamento? | A empresa nos primeiros 15 dias; depois, o INSS |
| Precisa de carência? | Não, quando a doença é do trabalho |
| Dá estabilidade? | 12 meses depois do benefício acidentário |
| Pode ser demitido afastado? | O TST anulou dispensa feita durante licença por burnout |
| Qual o prazo? | Dois anos após a saída, cinco para trás |
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Perguntas frequentes
Burnout é doença ocupacional?
Qual o CID do burnout?
Quem paga o afastamento por burnout?
Quanto tempo posso ficar afastado por burnout?
Afastamento por burnout precisa de carência no INSS?
Como provar burnout no INSS?
Burnout dá estabilidade de 12 meses?
A empresa deposita FGTS durante o afastamento por burnout?
Posso ser demitido durante o afastamento por burnout?
Burnout dá justa causa?
Burnout gera indenização?
Qual o prazo para processar a empresa por burnout?
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Fontes e base legal
Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados
Lei 8.213/1991, arts. 20, 21-A, 26, 59, 60 e 118; Lei 8.036/1990, art. 15; CLT, arts. 482 e 483; Constituição, art. 7º, XXIX (Planalto); TST, Súmula 378; Ministério da Saúde, páginas Síndrome de Burnout e Transtorno Mental Relacionado ao Trabalho; TST, notícias de 24/03/2015, 28/09/2023 e 22/04/2025.
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