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Jornada excessiva dá dano existencial? O que o TST exige

✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741

Dano existencial no trabalho: o que é, diferença do dano moral, exemplos do TST, o que precisa provar, valor da indenização, trabalho escravo, rescisão indireta e prazo.

Dano existencial: o que é

É o dano de quem perde a vida fora do trabalho por uma conduta ilícita do empregador, e a causa mais comum é a jornada longa e habitual que toma o tempo da família, do descanso, do lazer e dos projetos pessoais. Desde a Reforma Trabalhista de 2017, a CLT fala em ofensa à esfera moral ou existencial da pessoa (art. 223-B) e protege, entre outros bens, o lazer, a saúde e a liberdade de ação (art. 223-C).

Dano existencial e dano moral: a diferença

Na CLT, os dois estão no mesmo título, o do dano extrapatrimonial, que é o nome que a CLT dá a esses danos desde 2017 (art. 223-B).

Na leitura do escritório, o dano moral olha para a ofensa à honra, à imagem e à autoestima, e o existencial olha para o convívio e o projeto de vida que o trabalho tomou. A Escola Judicial do TRT da 4ª Região descreve o dano existencial como o prejuízo causado pelas longas jornadas que limitam a vida social do empregado.

Quando o problema é humilhação repetida, e não jornada, o caminho é o de assédio moral no trabalho.

Exemplos de dano existencial

Dois casos de motoristas, julgados pelo TST, mostram onde está a linha:

O casoO que o TST decidiu
Motorista de carreta com jornada das 6h às 22h, de 16 a 21 horas por dia, duas folgas por mês, domingos e feriados sem pagamentoA 3ª Turma manteve indenização de R$ 12 mil, em 2025
Motorista que dizia trabalhar 17 horas por dia em média, sem prova do prejuízo à vida familiar e socialA 4ª Turma retirou a indenização de R$ 5 mil, em 2023

Em reportagem de 2018, o TST mostrou ainda o caso de uma empregada que passou nove anos sem férias e o de uma recepcionista de hospital sem hora para sair. A Escola Judicial do TRT4 também cita as férias negadas e as pausas descumpridas entre as causas. As regras das férias atrasadas estão em férias vencidas.

Jornada excessiva basta? O que o TST exige

Aqui está o ponto central.

Segundo o próprio TST, a SDI-1 do tribunal fixou que a jornada excessiva habitual, sozinha, não gera a indenização. A 4ª Turma, em 2023, exigiu a demonstração efetiva de prejuízo ao convívio familiar e social. Em 2025, a 3ª Turma aplicou uma distinção para a jornada de 16 a 21 horas diárias, sem folgas regulares, e dispensou essa prova, porque ali o ato ilícito era evidente. A empresa ainda podia recorrer.

Ou seja, fora dos casos extremos, quem pede dano existencial precisa provar a jornada e também o que ela tirou da vida fora do trabalho.

Na leitura do escritório, ajudam os registros de horário, as mensagens com ordens fora do expediente e testemunhas que conheçam a rotina da pessoa fora da empresa.

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Qual o valor da indenização?

A CLT manda o juiz considerar, entre outros pontos, a intensidade do sofrimento, os reflexos pessoais e sociais, a duração dos efeitos, o grau de culpa e a situação econômica das partes (art. 223-G).

A mesma regra traz uma tabela com base no último salário contratual:

A ofensaO parâmetro da CLT (art. 223-G, § 1º)
LeveAté 3 vezes o último salário
MédiaAté 5 vezes
GraveAté 20 vezes
GravíssimaAté 50 vezes

Em 2023, o STF decidiu que essa tabela orienta o juiz, mas não é teto: o valor pode ser maior, desde que a decisão explique o motivo (ADIs 6050, 6069 e 6082). Nos dois casos da tabela de exemplos, os valores foram de R$ 5 mil e R$ 12 mil.

A indenização pode ser pedida junto com a de danos materiais do mesmo fato (art. 223-F). As horas extras não pagas são um direito à parte, com adicional de pelo menos 50% (Constituição, art. 7º, XVI), explicadas em horas extras.

Jornada exaustiva e trabalho escravo

O Código Penal inclui a jornada exaustiva entre as formas de reduzir alguém à condição análoga à de escravo, com pena de dois a oito anos de reclusão (art. 149).

O governo federal orienta que esses casos sejam denunciados pelo Sistema Ipê, sem identificação, ou pelo Disque 100.

Jornada exaustiva e rescisão indireta

A CLT permite ao empregado considerar rescindido o contrato quando lhe são exigidos serviços superiores às suas forças ou quando o empregador não cumpre as obrigações do contrato (art. 483, a e d). Como isso funciona está em rescisão indireta. O relator do caso de 2025 lembrou ainda que jornadas extenuantes aumentam o número de acidentes. Se houve acidente, as regras estão em acidente de trabalho.

O prazo para cobrar

Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação (Constituição, art. 7º, XXIX). Dá pra cobrar ainda trabalhando na empresa. Lembrando que o caminho da ação está em processo trabalhista.

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Resumindo:

A perguntaA resposta
O que é?Dano à vida fora do trabalho, causado por conduta ilícita do empregador
É o mesmo que dano moral?Estão no mesmo título da CLT, mas o foco é outro
Jornada longa basta?Pelo TST, em regra não: é preciso provar o prejuízo
E jornada extrema?Há decisão de 2025 que dispensou a prova
Qual o valor?A CLT dá parâmetros pelo salário; o STF disse que não são teto
Qual o prazo?Dois anos após o fim do contrato, cinco para trás

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Perguntas frequentes

O que é dano existencial?
É o dano à vida fora do trabalho causado por conduta ilícita do empregador, na maioria das vezes a jornada longa e habitual que tira o tempo da família, do descanso e do lazer. A CLT fala em ofensa à esfera existencial da pessoa (art. 223-B).
Qual a diferença entre dano existencial e dano moral?
Os dois estão no título do dano extrapatrimonial da CLT (art. 223-B). Na leitura do escritório, o dano moral olha para a honra, a imagem e a autoestima, e o existencial para o convívio e o projeto de vida que o trabalho tomou.
Jornada excessiva dá direito a dano existencial?
Segundo o TST, a SDI-1 fixou que a jornada excessiva habitual, sozinha, não gera a indenização, e é preciso provar o prejuízo à vida familiar e social. Em 2025, a 3ª Turma dispensou essa prova numa jornada de 16 a 21 horas diárias.
Quais são exemplos de dano existencial?
O TST manteve R$ 12 mil para um motorista com jornada de 16 a 21 horas por dia e duas folgas por mês, em 2025. Em reportagem de 2018, citou uma empregada nove anos sem férias e uma recepcionista sem hora para sair.
Como provar o dano existencial?
A 4ª Turma do TST exigiu a demonstração efetiva de prejuízo ao convívio familiar e social. Na leitura do escritório, ajudam registros de horário, mensagens com ordens fora do expediente e testemunhas da rotina fora da empresa.
Qual o valor da indenização por dano existencial?
A CLT traz parâmetros pelo último salário: até 3 vezes na ofensa leve, 5 na média, 20 na grave e 50 na gravíssima (art. 223-G, § 1º). O STF decidiu em 2023 que esses valores orientam, mas não são teto.
A tabela de dano moral da CLT é teto?
Não. O STF decidiu em 2023, nas ADIs 6050, 6069 e 6082, que a tabela é critério orientador e que o juiz pode fixar valor maior, desde que explique o motivo.
Posso pedir dano existencial e horas extras juntos?
Pode. As horas extras não pagas são um direito à parte, com adicional de pelo menos 50% (Constituição, art. 7º, XVI), e o dano extrapatrimonial pode ser pedido com o dano material do mesmo fato (CLT, art. 223-F).
Jornada exaustiva é trabalho escravo?
O Código Penal inclui a jornada exaustiva entre as formas de reduzir alguém à condição análoga à de escravo, com pena de dois a oito anos de reclusão (art. 149). A denúncia pode ser feita pelo Sistema Ipê ou pelo Disque 100.
Jornada exaustiva dá rescisão indireta?
A CLT permite a rescisão indireta quando são exigidos serviços superiores às forças do empregado ou quando o empregador não cumpre o contrato (art. 483, a e d).
Motorista de caminhão tem direito a dano existencial?
Depende da prova. O TST manteve indenização a um motorista com jornada de 16 a 21 horas diárias em 2025 e retirou a de outro, em 2023, por falta de prova do prejuízo à vida familiar e social.
Qual o prazo para pedir dano existencial?
Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação (Constituição, art. 7º, XXIX). Dá para pedir ainda trabalhando na empresa.

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Dr. Fabrício Santos Cruvinel

Dr. Fabrício Santos Cruvinel — OAB 51.741

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Fontes e base legal

Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados

CLT, arts. 223-B, 223-C, 223-F, 223-G e 483; Constituição, art. 7º, XVI e XXIX; Código Penal, art. 149 (Planalto); STF, ADIs 6050, 6069 e 6082 (notícia de 27/06/2023); TST, notícias de 19/08/2025, 03/05/2023 e 30/10/2018; TRT4, Escola Judicial.

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