Substituí o chefe nas férias: tenho direito ao salário dele?
✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741
Salário substituição: a Súmula 159 do TST, se é obrigatório, substituir o chefe nas férias, requisitos, como calcular, incidências e cargo vago.
Salário substituição: o que é
Salário substituição é o direito de quem cobre outro empregado de receber o salário dele enquanto durar a substituição. A regra está na Súmula 159 do TST: se a substituição não é meramente eventual, inclusive nas férias, o substituto recebe o salário contratual do substituído. A CLT garante a quem substitui a contagem do tempo e a volta ao cargo anterior (art. 450).
Salário substituição é obrigatório?
A resposta do TST é sim. Em 2017, a 1ª Turma disse que a Súmula 159 decorre do art. 450 da CLT, que o salário substituição é devido por imposição de lei e que só deixa de ser devido na substituição eventual.
No mesmo caso, a Justiça anulou a cláusula de um acordo coletivo que só pagava a diferença a partir do 31º dia de substituição. A decisão é anterior ao julgamento do STF sobre o peso das normas coletivas (Tema 1.046), e, na leitura do escritório, cláusula assim hoje precisa ser examinada caso a caso.
Requisitos: quando tem direito
Pela súmula, são três:
| O requisito | O que significa |
|---|---|
| Substituir outro empregado | Assumir as funções de quem está afastado |
| Substituição que não seja meramente eventual | A súmula exclui só a eventual |
| O substituído ganhar mais | O direito é à diferença entre os dois salários |
A súmula não fixa quantos dias tornam a substituição não eventual, e, na leitura do escritório, eventual é a cobertura de poucas horas ou de um dia, por acaso. As férias estão expressamente incluídas, e o TST já deu as diferenças por férias de 20 ou 30 dias. Na leitura do escritório, a licença-maternidade, que é também um afastamento com prazo, segue a mesma lógica.
Substituir o chefe nas férias e continuar com a minha função
O argumento de que não houve substituição porque o empregado continuou com o próprio trabalho já foi rejeitado. Em 2018, a 4ª Turma do TST decidiu o caso de uma gerente de faturamento que cobriu as férias da gerente comercial sem largar a própria função: ela recebeu as diferenças, porque acumular as duas funções é mais pesado do que só substituir.
Ou seja, fazer as duas coisas ao mesmo tempo não tira o direito.
Guarde e-mails e mensagens em que você assinou ou respondeu pelo cargo do substituído.
Se você cobriu férias ou afastamento de alguém que ganha mais e recebeu só o seu salário, mande um resumo pelo WhatsApp. A conversa inicial diz o que dá pra cobrar.

Como calcular o salário substituição
Na leitura do escritório, o cálculo é a diferença entre o salário contratual do substituído e o seu, proporcional aos dias da substituição.
| O passo | Exemplo: você ganha R$ 3.000,00 e o chefe, R$ 4.500,00, e você o substituiu nos 30 dias de férias |
|---|---|
| Diferença mensal | R$ 1.500,00 |
| Período | 30 dias |
| Salário substituição devido | R$ 1.500,00 |
Na leitura do escritório, por ser salário, a diferença tem incidências: reflete em férias com um terço, 13º e FGTS.
Cargo vago: quem assume de vez não ganha igual
Aqui a regra muda: vago o cargo em definitivo, quem passa a ocupá-lo não tem direito a salário igual ao do antecessor (Súmula 159, II). Em 2019, a 2ª Turma do TST aplicou essa regra a uma empregada que assumiu de vez a coordenação.
Quem faz o mesmo trabalho que um colega, ao mesmo tempo, pode ter direito por outro caminho, a equiparação salarial, e quem acumula funções sem substituir ninguém, pelo desvio de função.
O prazo para cobrar
Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação (Constituição, art. 7º, XXIX). No caso de 2017, as diferenças foram pagas pelos cinco anos não prescritos, de uma substituição que durou nove anos. Dá pra cobrar ainda trabalhando na empresa. Lembrando que o caminho da ação está em processo trabalhista.
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Falar com um advogado no WhatsAppResumindo:
| A pergunta | A resposta |
|---|---|
| O que é? | O salário do substituído, enquanto durar a substituição |
| É obrigatório? | Sim, se a substituição não é meramente eventual |
| Nas férias do chefe vale? | Sim; a súmula inclui as férias |
| Continuei com minha função. Perco? | Não, pela 4ª Turma do TST |
| E o cargo vago em definitivo? | Não dá salário igual ao do antecessor |
| Tem reflexos? | Na leitura do escritório, sim |
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Perguntas frequentes
O que é salário substituição?
Salário substituição é obrigatório?
Quem substitui o chefe nas férias tem direito ao salário dele?
Se continuei fazendo minha função durante a substituição, perco o direito?
Quais são os requisitos do salário substituição?
O que é substituição eventual?
Como calcular o salário substituição?
Salário substituição tem incidências?
Substituição na licença-maternidade dá direito ao salário substituição?
Quem assume um cargo vago ganha o salário do antecessor?
Acordo coletivo pode limitar o salário substituição?
Qual o prazo para cobrar o salário substituição?
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Fontes e base legal
Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados
TST, Súmula 159; CLT, arts. 450, 461 e 468; Constituição, art. 7º, XXIX (Planalto); TST, notícias de 16/11/2017 (RR-500262-95.2014.5.17.0132), 24/04/2018 (ARR-1263-84.2015.5.10.0019) e 20/08/2019 (ARR-100283-84.2016.5.01.0012).
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