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Motorista de caminhão tem direito a periculosidade? A regra

✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741

Periculosidade e insalubridade do motorista de caminhão: tanque suplementar, abastecimento, caminhão-tanque, vibração, lixo e os temas do TST.

Motorista de caminhão tem direito a periculosidade?

Depende do que ele transporta e de como o combustível chega ao caminhão. A CLT considera perigosa a atividade com exposição permanente a inflamáveis, na forma da regulamentação do Ministério do Trabalho, e o adicional é de 30% sobre o salário, sem gratificações, prêmios ou participação nos lucros (art. 193, I e § 1º).

Desde dezembro de 2023, a CLT diz que o combustível dos tanques originais de fábrica e dos suplementares, para consumo do próprio caminhão, certificados pelo órgão competente, não gera periculosidade (art. 193, § 5º). Ou seja, dirigir um caminhão de tanque cheio não basta. As regras gerais de jornada do caminhoneiro estão em lei do motorista.

Tanque suplementar dá periculosidade?

A resposta mudou com o tempo:

O períodoO que valia
Antes da Portaria 1.357/2019A jurisprudência do TST dava o adicional ao motorista com tanque suplementar acima de 200 litros, mesmo para consumo próprio (decisão de 2021)
Depois da Portaria 1.357/2019A NR-16 passou a afastar os tanques originais e suplementares certificados
Desde a Lei 14.766/2023A própria CLT exclui esses tanques (art. 193, § 5º)

O período antes de 2019 ainda está em julgamento. O TST afetou a questão como recurso repetitivo em março de 2025 (Tema 45), e os recursos sobre o assunto estão suspensos no tribunal até a tese sair. Em fevereiro de 2025, antes da tese, a Oitava Turma negou o adicional a um motorista com tanques de 500 e 700 litros para consumo próprio.

Anote a capacidade dos tanques e os anos em que você dirigiu cada caminhão.

Motorista que acompanha o abastecimento tem periculosidade?

Não, segundo o TST. Em abril de 2025, num recurso repetitivo que vale para todos os casos, o tribunal decidiu que o motorista que só acompanha o abastecimento feito por outra pessoa, sem contato direto com o combustível, não tem direito ao adicional (Tema 82).

Na leitura do escritório, a situação muda quando é o próprio motorista que abastece, com contato direto com o combustível, e isso se prova com testemunhas e perícia.

Caminhão-tanque e transporte de combustível

Segundo a notícia do TST de 2025, a NR-16 considera perigoso o transporte de inflamáveis líquidos ou gasosos em vasilhames e a granel, salvo pequenas quantidades até 200 litros, e diferencia esse transporte do combustível de consumo próprio. Na leitura do escritório, é aí que entra o motorista de caminhão-tanque, que é quem leva combustível como carga.

Se você dirige caminhão-tanque e não recebe o adicional, mande um resumo pelo WhatsApp. A conversa inicial diz o que dá pra fazer.

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Motorista de caminhão tem direito a insalubridade?

A CLT considera insalubre o trabalho com agentes nocivos acima dos limites de tolerância, e o adicional é de 10%, 20% ou 40%, conforme o grau mínimo, médio ou máximo (arts. 189 e 192). Quem decide se há insalubridade é a perícia de médico ou engenheiro do trabalho (art. 195).

Dois casos do TST mostram quando o caminhoneiro recebe:

O casoO agenteO grau
Caminhoneiro de carreta, 2015Vibração do veículo, medida em perícia (NR-15, Anexo 8)Médio
Motorista de caminhão de lixo que ajudava na separação, 2019Lixo orgânicoMáximo

No caso da vibração, a Oitava Turma manteve o adicional com reflexos nas férias com um terço e no FGTS com 40%. As regras gerais estão em insalubridade.

Periculosidade ou insalubridade: dá para receber os dois?

A CLT diz que o empregado pode optar pelo adicional de insalubridade que lhe seja devido (art. 193, § 2º). Na leitura do escritório, isso significa escolher o mais vantajoso, e não somar os dois. As regras gerais da periculosidade estão em adicional de periculosidade.

O prazo para cobrar

Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação. Lembrando que, no tanque suplementar, o período anterior a 2019 depende da tese que o TST ainda vai fixar.

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Resumindo:

A perguntaA resposta
Caminhoneiro tem periculosidade?Só nas situações da regulamentação; tanque de consumo próprio certificado não conta
Tanque suplementar dá periculosidade?Desde 2023, não, se certificado; antes de 2019, o TST ainda vai decidir
Acompanhar o abastecimento dá periculosidade?Não (TST, Tema 82)
Caminhoneiro tem insalubridade?Se a perícia achar agente nocivo, como vibração
Quanto é a periculosidade?30% do salário
Quanto é a insalubridade?10%, 20% ou 40%, conforme o grau
Recebe os dois?Não; o empregado escolhe

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Perguntas frequentes

Motorista de caminhão tem direito a periculosidade?
Só nas situações previstas na regulamentação do Ministério do Trabalho. O combustível dos tanques originais e suplementares certificados, para consumo do próprio caminhão, não gera periculosidade (CLT, art. 193, § 5º).
Tanque suplementar dá direito a periculosidade?
Desde a Lei 14.766/2023, não, se o tanque for certificado e para consumo próprio. Para o período anterior à Portaria 1.357/2019, o TST ainda vai fixar a tese no Tema 45.
O que o TST decidiu sobre tanque suplementar acima de 200 litros?
Antes, a jurisprudência do TST dava o adicional. Em 2025, a Oitava Turma negou num caso de tanques de 500 e 700 litros, e o tema está em recurso repetitivo, com os recursos suspensos.
Motorista que acompanha o abastecimento tem periculosidade?
Não. Em 2025, em recurso repetitivo, o TST decidiu que acompanhar o abastecimento feito por terceiro, sem contato direto com o combustível, não dá o adicional (Tema 82).
Motorista de caminhão-tanque tem periculosidade?
Na leitura do escritório, sim, quando leva combustível como carga: segundo o TST, a NR-16 considera perigoso o transporte de inflamáveis acima de 200 litros.
Motorista de caminhão tem direito a insalubridade?
Se a perícia encontrar agente nocivo acima do limite de tolerância (CLT, arts. 189 e 195). O TST já reconheceu por vibração do veículo, em grau médio.
Vibração do caminhão dá insalubridade?
Pode dar. Em 2015, a Oitava Turma do TST manteve o adicional em grau médio a um caminhoneiro, com base em perícia e no Anexo 8 da NR-15.
Motorista de caminhão de lixo tem insalubridade?
Em 2019, o TST deu grau máximo a um motorista que também ajudava na separação do lixo orgânico. O resultado depende do contato com o lixo, provado em perícia.
Quanto é o adicional de periculosidade do motorista?
30% sobre o salário, sem gratificações, prêmios ou participação nos lucros (CLT, art. 193, § 1º).
Quanto é o adicional de insalubridade?
10%, 20% ou 40%, conforme o grau mínimo, médio ou máximo (CLT, art. 192).
Dá para receber periculosidade e insalubridade juntas?
A CLT deixa o empregado optar pelo adicional de insalubridade (art. 193, § 2º). Na leitura do escritório, escolhe-se o mais vantajoso, sem somar.
Qual o prazo para cobrar o adicional?
Até 2 anos depois do fim do contrato, alcançando os 5 anos anteriores à ação.

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Dr. Fabrício Santos Cruvinel

Dr. Fabrício Santos Cruvinel — OAB 51.741

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Fontes e base legal

Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados

Consolidação das Leis do Trabalho, arts. 189, 192, 193 e 195; Lei 14.766/2023; TST, Temas 45 e 82 dos recursos repetitivos e decisões de 2015, 2019, 2021 e 2025.

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