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Morte em acidente de trabalho: os direitos da família

✓ Atualizado em 2 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741

Indenização por morte no trabalho: quem tem direito, o que a família pede, o valor, a pensão do INSS, sem carteira assinada e o prazo.

Morte no trabalho gera indenização?

Gera, quando a empresa teve culpa pelo acidente ou quando a atividade era de risco. A Constituição garante a indenização do empregador que incorreu em dolo ou culpa, além do seguro contra acidentes de trabalho (art. 7º, XXVIII). E o STF confirmou que a empresa responde mesmo sem culpa quando a atividade expõe o trabalhador a um risco maior que o das outras pessoas (Tema 932).

Ou seja, a família pode pedir ao empregador o que perdeu com a morte, e isso não se confunde com a pensão do INSS.

As regras gerais do acidente, como a CAT e a estabilidade de quem sobrevive, estão em acidente de trabalho.

Quem tem direito à indenização

O STF decidiu que a família do trabalhador pode pedir na Justiça do Trabalho o dano em ricochete, que é o sofrimento próprio de quem perdeu a pessoa, e que nenhuma leitura da CLT pode tirar esse direito das pessoas intimamente ligadas à vítima (ADIs 6050, 6069 e 6082, 2023).

Quem pedeO que precisa provar
Cônjuge, companheiro ou companheira, filhos e paisNada sobre o sofrimento; ele é presumido
IrmãosTambém presumido, segundo a SDI-1 do TST em 2024, sem prova de dependência econômica
Noiva, sogra, sobrinho, amigoO laço de afeto e a proximidade com a vítima

Em 2026, o TST estendeu a indenização e a pensão a filhos que só tiveram a paternidade reconhecida depois do fim do primeiro processo. Como o juiz calcula o dano moral trabalhista está em dano moral no trabalho.

Separe a certidão de óbito, a certidão de casamento ou a prova da união e as certidões dos filhos.

O que a família pode pedir

O Código Civil diz que, na morte, a indenização inclui as despesas com o tratamento, o funeral e o luto da família, e a pensão às pessoas a quem o morto sustentava, considerando a duração provável da vida da vítima (art. 948). A esse dano material se soma o dano moral de cada familiar.

Na pensão, o TST usa como base o último salário do trabalhador, menos um terço, que seria gasto com ele mesmo, e paga dois terços à família, com os reajustes. Os filhos recebem até completar 25 anos, e a cota deles passa depois para a viúva. A pensão vai até a expectativa de vida do trabalhador e não acaba se a viúva ou os filhos se casarem.

Confira se o pedido inclui as despesas do funeral.

Indenização por morte no trabalho: o valor

A CLT traz faixas de valor ligadas ao último salário, mas o STF decidiu em 2023 que elas orientam o juiz e não são teto: dá pra fixar valor maior, desde que a decisão explique por quê.

O caso julgado pelo TSTO que a família recebeu
Empregado soterrado em silo, 2015R$ 50 mil à companheira, R$ 25 mil à mãe e R$ 25 mil aos irmãos, mais pensão
Montador atingido por árvore, 2022R$ 100 mil à viúva e R$ 150 mil a cada dependente, mais pensão
Trabalhador atropelado em rodovia, 2026R$ 50 mil à esposa e R$ 80 mil a cada filha, mais pensão até os 25 anos

Cada caso tem o seu valor, que depende da culpa da empresa, da idade e do salário do trabalhador e de quantas pessoas ele sustentava.

Guarde os recibos do funeral e do tratamento.

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Pensão por morte do INSS e indenização: dá para receber as duas

Dá, sim. A lei diz que o pagamento do INSS por acidente do trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa (Lei 8.213/1991, art. 121). O TST explica que a pensão do INSS vem das contribuições do trabalhador, que é um seguro, e a indenização vem do dano, que é uma reparação, e por isso uma não abate a outra.

O mesmo vale para o seguro de vida que a empresa contratou: em 2017, o TST negou o desconto desse valor da indenização, citando precedentes da SDI-1.

Lembrando que a pensão do INSS tem regras próprias de valor e de duração, que esta página não trata.

Acidente de trabalho com morte: como proceder

A empresa tem de comunicar o acidente ao INSS e, em caso de morte, avisar de imediato a autoridade competente (Lei 8.213, art. 22).

Os valores que a empresa devia ao trabalhador e o FGTS que ele não recebeu em vida vão para os dependentes habilitados no INSS, em partes iguais, e, na falta deles, para os sucessores, sem precisar de inventário (Lei 6.858/1980, art. 1º). O caminho do saque está em FGTS de falecido.

Peça à empresa a cópia da CAT e guarde o boletim de ocorrência e o laudo.

Morte no trabalho sem carteira assinada

Na leitura do escritório, a falta de registro não tira o direito da família, mas acrescenta uma etapa: provar que existia o vínculo de emprego, com testemunhas, conversas e pagamentos, para depois discutir a responsabilidade pelo acidente. Como se prova o vínculo está em trabalhar sem carteira assinada.

O prazo para a família entrar com a ação

A morte encerra o contrato de trabalho, e o prazo de dois anos para a ação conta da data da morte, e não da baixa na carteira, como decidiu o TST em 2015. Quem perde esse prazo perde o direito.

Para o filho menor de 16 anos, o prazo não corre enquanto ele não completa 16 anos, porque o Código Civil protege os incapazes (art. 198, I), e o TST aplica essa regra aos herdeiros desde pelo menos 2010. As regras gerais do prazo estão em prescrição trabalhista.

Anote a data do óbito: é dela que o prazo começa.

O que faz um advogado trabalhista, quando procurar e como ele cobra está em advogado trabalhista.

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Resumindo:

A perguntaA resposta
Morte no trabalho gera indenização?Sim, com culpa da empresa ou em atividade de risco
Quem pode pedir?Cônjuge, filhos, pais e irmãos sem provar o sofrimento; os demais, provando o afeto
O que se pede?Funeral, luto, pensão e dano moral de cada familiar
Quanto é a pensão?Em regra, 2/3 do último salário, com os filhos até 25 anos
A pensão do INSS desconta?Não, e o seguro de vida também não
E sem carteira assinada?Primeiro se prova o vínculo
Qual o prazo?Dois anos da morte; para o filho menor de 16, só depois dos 16

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Perguntas frequentes

Morte no trabalho gera indenização?
Sim, quando a empresa teve culpa pelo acidente ou a atividade era de risco. A Constituição garante a indenização em caso de dolo ou culpa (art. 7º, XXVIII), e o STF admitiu a responsabilidade sem culpa nas atividades de risco (Tema 932).
Quem tem direito à indenização por morte no trabalho?
Cônjuge, companheiro ou companheira, filhos, pais e irmãos, sem precisar provar o sofrimento. Outras pessoas, como noiva ou sogra, precisam provar o laço de afeto com a vítima.
Irmão do trabalhador morto pode pedir indenização?
Pode. Em 2024, a SDI-1 do TST decidiu que o sofrimento entre irmãos é presumido, e uma Turma dispensou a prova de dependência econômica.
O que a família pode pedir na indenização por morte no trabalho?
As despesas com tratamento, funeral e luto, a pensão a quem o trabalhador sustentava (Código Civil, art. 948) e o dano moral de cada familiar.
Qual o valor da indenização por morte no trabalho?
Depende do caso. O TST já manteve, por exemplo, R$ 50 mil à esposa e R$ 80 mil a cada filha em 2026, e R$ 100 mil à viúva e R$ 150 mil a cada dependente em 2022, além da pensão.
A CLT limita o valor do dano moral?
Não como teto. O STF decidiu em 2023 que as faixas da CLT orientam o juiz, que pode fixar valor maior desde que explique o motivo.
Como é calculada a pensão da família?
O TST usa o último salário menos um terço, que seria gasto pelo próprio trabalhador. A família recebe 2/3, com reajustes, até a expectativa de vida dele.
Até quando os filhos recebem a pensão?
Até completar 25 anos, segundo a jurisprudência do TST. Depois, a cota deles passa para a viúva.
A pensão por morte do INSS é descontada da indenização?
Não. O pagamento do INSS não exclui a responsabilidade da empresa (Lei 8.213/1991, art. 121), e o TST não abate um do outro. O seguro de vida da empresa também não é descontado.
Morte no trabalho sem carteira assinada dá indenização?
Na leitura do escritório, sim, mas a família precisa provar antes que existia o vínculo de emprego, com testemunhas, conversas e pagamentos.
Acidente de trabalho com morte: como proceder?
A empresa deve comunicar o INSS e avisar de imediato a autoridade (Lei 8.213, art. 22). A família deve pedir a CAT e guardar o boletim de ocorrência e o laudo.
Qual o prazo para a família processar a empresa?
Dois anos contados da morte, segundo o TST. Para o filho menor de 16 anos, o prazo só começa a correr quando ele completa 16 anos.

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Dr. Fabrício Santos Cruvinel

Dr. Fabrício Santos Cruvinel — OAB 51.741

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Fontes e base legal

Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados

Constituição, art. 7º, XXVIII e XXIX; Código Civil, arts. 186, 927, 943 e 948; CLT, arts. 223-A a 223-G; STF, ADIs 6050, 6069 e 6082 e Tema 932; Lei 8.213/1991, arts. 19, 22 e 121; Lei 6.858/1980, art. 1º; TST, decisões de 2010, 2015, 2017, 2019, 2022, 2024, 2025 e 2026.

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