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Mãe de autista tem direito a redução de jornada?

✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741

Redução de jornada para quem tem filho autista: o que diz a lei, a tese do TST para empregado público, as decisões na empresa privada, o salário, como pedir e o projeto de lei.

Redução de jornada para quem tem filho autista: a CLT prevê?

Ainda não. A CLT não tem hoje um artigo que dê ao empregado com filho autista o direito de trabalhar menos horas.

O que existe é a regra dos servidores públicos federais: a Lei 8.112/1990, que é o estatuto desses servidores, dá horário especial ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência, sem exigir compensação de horário (art. 98, §§ 2º e 3º). E a lei do autismo diz que a pessoa com transtorno do espectro autista é pessoa com deficiência para todos os efeitos legais (Lei 12.764/2012, art. 1º, § 2º).

É por essa ponte que a Justiça do Trabalho tem garantido a redução. Ou seja, o direito do empregado vem hoje das decisões do TST, que aplicam a regra do servidor por analogia.

Empregado público: a tese do TST de 2025

Para o empregado público, como o de empresa pública contratado pela CLT, o TST fixou em maio de 2025, em recurso repetitivo de observância obrigatória, esta tese: o funcionário público com filho com transtorno do espectro autista tem direito à redução de jornada, sem redução proporcional do salário e sem compensação de horário, pela aplicação analógica do art. 98 da Lei 8.112/1990.

Em junho de 2025, o tribunal manteve a tese e deixou para cada caso a discussão sobre acordos coletivos que limitem a redução.

Na leitura do escritório, quem trabalha em empresa pública e tem o pedido negado tem hoje o caminho mais firme, porque os juízes do trabalho têm de seguir a tese.

Empresa privada: o que o TST já decidiu

Para quem trabalha em empresa privada, a tese de 2025 não fala diretamente, mas o TST já aplicou a mesma lógica. Em 2024, a Sétima Turma reduziu de 8 para 4 horas a jornada de uma empregada de banco, mãe de gêmeas autistas, sem redução do salário e mantendo a gratificação de função.

O relator disse que pessoas em situações parecidas não podem ser tratadas de forma totalmente desigual, com base na Constituição e na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Na leitura do escritório, na empresa privada o resultado depende do caso: pesam a necessidade comprovada da criança, o tamanho da empresa e a função. Não há, por enquanto, uma tese obrigatória para o setor privado.

Guarde os laudos e os relatórios das terapias do seu filho.

Sem redução de salário e sem compensação

A redução sem corte de salário é o ponto que mais pesa. Na tese de 2025, a redução é sem corte proporcional do salário e sem obrigação de compensar as horas. No caso do banco, em 2024, o TST também manteve o salário e a gratificação de função, que o tribunal regional tinha reduzido na proporção das horas.

Se o seu pedido de redução de jornada foi negado, ou a empresa quer cortar o salário junto, mande um resumo pelo WhatsApp. A conversa inicial diz o que dá pra fazer.

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Como pedir a redução de jornada

Na leitura do escritório, o primeiro passo é o pedido por escrito à empresa, com o diagnóstico, os laudos e a rotina de terapias da criança, mostrando por que a jornada atual impede o acompanhamento. No caso do banco, a empregada pediu antes à empresa, que negou, e só depois entrou com a ação. Se a empresa negar, a redução é pedida na Justiça do Trabalho, como explicado em processo trabalhista.

A lei dos servidores exige a comprovação da necessidade por junta médica oficial (Lei 8.112, art. 98, § 2º). Na leitura do escritório, na Justiça do Trabalho a necessidade se prova por laudos e, se preciso, por perícia.

O projeto de lei para a CLT

Em julho de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o Projeto de Lei 2458/2025, que altera a CLT para garantir a redução da jornada, sem corte de salário, aos empregados que cuidam de dependentes com qualquer deficiência. A necessidade e o percentual da redução seriam definidos por avaliação biopsicossocial, feita pelo menos a cada dois anos. Até a notícia da Câmara, o texto seguia para o Senado e ainda não era lei.

A proteção contra a dispensa discriminatória está em demissão discriminatória.

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Resumindo:

A perguntaA resposta
A CLT prevê redução para filho autista?Ainda não
De onde vem o direito hoje?Das decisões do TST, pela lei dos servidores
Empregado público tem direito?Sim, pela tese obrigatória de 2025
E em empresa privada?O TST já concedeu; depende do caso
O salário é reduzido?Nas decisões do TST, não
Há lei a caminho?O PL 2458/2025, ainda no Congresso

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Perguntas frequentes

A CLT prevê redução de jornada para quem tem filho autista?
Ainda não. O direito vem hoje das decisões do TST, que aplicam por analogia a regra dos servidores federais (Lei 8.112/1990, art. 98, §§ 2º e 3º).
Autismo é considerado deficiência?
Sim. A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais (Lei 12.764/2012, art. 1º, § 2º).
Empregado público com filho autista tem direito à redução de jornada?
Sim. O TST fixou em maio de 2025, em recurso repetitivo de observância obrigatória, o direito à redução sem redução proporcional do salário e sem compensação de horário.
E quem trabalha em empresa privada?
O TST já concedeu: em 2024, a Sétima Turma reduziu de 8 para 4 horas a jornada de uma empregada de banco, mãe de gêmeas autistas, sem cortar o salário. Na leitura do escritório, depende do caso.
A redução de jornada diminui o salário?
Na tese de 2025 e na decisão de 2024 do TST, não: a redução foi sem corte proporcional do salário e sem compensação de horas.
A empresa pode tirar a gratificação de função?
No caso do banco julgado em 2024, o TST manteve a gratificação de função junto com a redução da jornada.
Pai também tem direito à redução de jornada?
Na leitura do escritório, sim: a lei dos servidores fala em servidor que tenha filho com deficiência, sem distinguir pai e mãe, e a tese de 2025 fala em funcionário público com filho autista.
Como pedir a redução de jornada para filho autista?
Na leitura do escritório, por escrito à empresa, com diagnóstico, laudos e rotina de terapias. Se a empresa negar, o pedido é feito na Justiça do Trabalho.
Que provas levar para pedir a redução?
Na leitura do escritório, laudos médicos, relatórios das terapias, a agenda de atendimentos e a comparação com o horário de trabalho; se preciso, perícia.
Um acordo coletivo pode limitar a redução?
O TST deixou essa questão para o caso concreto ao manter a tese de 2025, sem decidir se o acordo coletivo prevalece.
Existe projeto de lei sobre o tema?
Sim. O PL 2458/2025, aprovado na CCJ da Câmara em julho de 2026, altera a CLT para garantir a redução sem corte de salário a quem cuida de dependente com deficiência. Ainda não é lei.
A redução vale para filho com outra deficiência?
A lei dos servidores fala em filho com deficiência, e o PL 2458/2025 cobre qualquer deficiência. Na leitura do escritório, a mesma lógica pode ser pedida, com prova da necessidade.

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Dr. Fabrício Santos Cruvinel

Dr. Fabrício Santos Cruvinel — OAB 51.741

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Fontes e base legal

Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados

Lei 8.112/1990, art. 98, §§ 2º e 3º; Lei 12.764/2012, art. 1º, § 2º (Planalto); TST, tese de recurso repetitivo de 2025 e decisão da Sétima Turma de 2024; Agência Câmara, PL 2458/2025 (09/07/2026).

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