Cartão de ponto com horário sempre igual vale como prova?
✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741
Ponto britânico: o que é, a Súmula 338 do TST, quem prova as horas extras, os 5 minutos, o ponto por exceção, o ponto manual e a folha assinada errada.
Ponto britânico: o que é
Ponto britânico é o nome dado ao cartão de ponto com horários de entrada e saída sempre iguais, todos os dias, como 8h00 e 17h00 sem nenhum minuto de diferença. Na leitura do escritório, ninguém chega e sai no mesmo minuto por meses seguidos, e por isso esse cartão é um sinal forte de que o registro não mostra a jornada real.
O TST diz que cartões com horários uniformes são inválidos como prova, e que o ônus de provar as horas extras passa para a empresa. Se ela não provar, vale a jornada que o empregado alegou na ação (Súmula 338, III).
Ponto britânico é proibido?
A CLT não usa esse nome. O que ela exige é que a empresa com mais de 20 trabalhadores anote a hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico (art. 74, § 2º). Registrar a hora real é a obrigação; um cartão que só repete o horário do contrato não cumpre esse papel.
Ou seja, na Justiça do Trabalho o efeito do ponto britânico está na prova. Na ação, o cartão uniforme não vale, e a empresa passa a ter de provar a jornada por outros meios.
Tire foto do seu cartão ou do espelho de ponto todo mês.
Súmula 338 do TST: quem prova as horas extras
A Súmula 338 do TST tem três partes:
| Item | O que diz |
|---|---|
| I | A empresa obrigada ao registro que não apresenta os cartões sem justificativa faz presumir verdadeira a jornada alegada, salvo prova em contrário |
| II | Essa presunção pode ser afastada por prova em contrário, mesmo se prevista em norma coletiva |
| III | Cartão com horários uniformes é inválido como prova, e o ônus das horas extras passa para a empresa |
O texto da súmula ainda fala em mais de 10 empregados, que era o número da CLT antes da mudança de 2019. Hoje o art. 74, § 2º, fala em mais de 20 trabalhadores.
Os 5 minutos e o que conta como jornada
Os minutos antes e depois do horário também entram na conta. As variações de até 5 minutos na entrada ou na saída não são descontadas nem viram hora extra, com limite de 10 minutos por dia (CLT, art. 58, § 1º).
Desde a reforma de 2017, não conta como jornada o tempo que o empregado passa na empresa por escolha própria para lanche, descanso, estudo ou higiene, nem a troca de uniforme quando não é obrigatório trocar ali (art. 4º, § 2º). As súmulas antigas do TST sobre esses minutos foram canceladas em 2025.
Confira quantos minutos o seu ponto marca além do horário.
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Ponto por exceção
O ponto por exceção, que é o registro só do que foge da jornada normal, anota a hora extra ou o atraso; sem apontamento, vale o horário do contrato. Desde 2019, a CLT o permite por acordo individual escrito, convenção ou acordo coletivo (art. 74, § 4º). Em 2023, a seção de dissídios coletivos do TST validou uma cláusula coletiva de ponto por exceção, seguindo o Tema 1046 do STF.
Na leitura do escritório, o ponto por exceção só protege a empresa se as exceções forem de fato anotadas. Quem fazia hora extra que nunca aparecia no sistema pode provar a jornada real por mensagens, e-mails e testemunhas.
Anote à parte os dias em que ficou além do horário.
Ponto manual e assinar a folha de ponto
O registro manual é permitido pela CLT (art. 74, § 2º). Quem trabalha fora da empresa também tem registro, que fica com ele (§ 3º).
Na leitura do escritório, assinar a folha com horário errado não tira o direito às horas extras, mas deixa a prova mais difícil. Se a empresa exige a assinatura, guarde uma cópia e anote à parte os horários reais, com as mensagens do dia.
Quem não bate ponto
Ficam fora do controle de jornada o trabalho externo incompatível com horário, o gerente com cargo de gestão e o teletrabalho por produção (CLT, art. 62), como explicado em jornada de trabalho. O TST está julgando, em recurso repetitivo aberto em 2025, se norma coletiva pode dispensar o controle de ponto do trabalhador externo.
Lembrando que, sem registro válido, a prova das horas extras está explicada em horas extras.
O prazo para cobrar
Até dois anos depois do fim do contrato, alcançando os cinco anos anteriores à ação, como explicado em prescrição trabalhista.
Como as horas registradas no ponto entram na compensação está em banco de horas.
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Falar com um advogado no WhatsAppResumindo:
| A pergunta | A resposta |
|---|---|
| O que é ponto britânico? | Cartão com horários sempre iguais |
| Ele vale como prova? | Não, para o TST (Súmula 338, III) |
| Quem prova a jornada então? | A empresa |
| Quem é obrigado a ter ponto? | Estabelecimento com mais de 20 trabalhadores |
| Ponto por exceção é válido? | Sim, com acordo escrito ou norma coletiva |
| Assinei a folha errada, perdi o direito? | Não, mas a prova fica mais difícil |
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Perguntas frequentes
O que é ponto britânico?
Ponto britânico é proibido pela CLT?
O que diz a Súmula 338 do TST?
Quem tem o ônus da prova no ponto britânico?
Quantos empregados a empresa precisa ter para ser obrigada a registrar o ponto?
Os 5 minutos antes e depois contam como hora extra?
Troca de uniforme conta como jornada?
O que é ponto por exceção?
Ponto por exceção é válido?
Ponto manual é válido?
Assinei a folha de ponto errada. Perdi as horas extras?
Qual o prazo para cobrar horas extras do ponto britânico?
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Fontes e base legal
Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados
CLT, arts. 4º, § 2º, 58, § 1º, 62 e 74 (Planalto); TST, Súmula 338; Súmulas 366 e 449 (canceladas, Res. 225/2025); TST, notícias de 24/11/2023 (SDC, ponto por exceção) e 26/09/2025 (IRR 0011672-65.2022.5.15.0042, pendente).
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