Indenização acidente de trabalho: pensão, valor e prazo
✓ Atualizado em 2 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741
Indenização acidente de trabalho: quando a empresa paga, a pensão vitalícia, o pagamento de uma vez, o valor, o INSS e a prescrição.
Indenização acidente de trabalho: quando a empresa paga
A empresa paga quando teve culpa pelo acidente ou quando a atividade era de risco. A Constituição garante a indenização do empregador que incorreu em dolo ou culpa, além do seguro contra acidentes (art. 7º, XXVIII), e o STF confirmou que ele responde mesmo sem culpa quando a atividade expõe o trabalhador a um risco maior que o das outras pessoas (Tema 932).
Ou seja, a indenização da empresa é uma coisa, e o benefício do INSS é outra.
O que é acidente de trabalho, a CAT e a estabilidade estão em acidente de trabalho.
O que a indenização inclui
| O que se pede | A regra |
|---|---|
| Despesas do tratamento e o que se deixou de ganhar até a recuperação | Código Civil, art. 949 |
| Pensão pela perda ou redução da capacidade para o trabalho | Código Civil, art. 950 |
| Dano moral, pelo sofrimento | CLT, arts. 223-A a 223-G |
| Dano estético, pela marca no corpo | Cumula com o dano moral, segundo o TST |
O dano estético, que é a reparação pela marca visível no corpo, como uma cicatriz ou um dedo amputado, não se confunde com o dano moral. Em 2019, o TST reconheceu a um operador que perdeu dedos na polia de um trator o direito às duas indenizações, porque uma compensa o abalo psicológico e a outra, a consequência visível no corpo.
Guarde as fotos da lesão e os laudos médicos.
Pensão vitalícia por acidente de trabalho
A pensão vitalícia é devida quando o acidente impede o trabalhador de exercer o seu ofício ou reduz a sua capacidade, e corresponde à importância do trabalho para o qual ele ficou inabilitado (Código Civil, art. 950).
O TST fixou as regras em recursos repetitivos, que valem para todos os processos:
| A questão | O que o TST decidiu |
|---|---|
| Até quando paga | Enquanto durar a incapacidade; o juiz não pode limitar por idade por conta própria (Tema 155) |
| Doença ou lesão com outras causas além do trabalho | A pensão pode ser reduzida em até 50%, salvo se o laudo disser quanto o trabalho contribuiu (Tema 76) |
| O trabalhador continua empregado | A pensão cumula com o salário (Tema 145, com recurso ao STF pendente) |
| A base de cálculo | A remuneração, sem incluir o FGTS (Tema 250) |
Em 2026, o TST mandou pagar pensão de 100% do salário a um trabalhador de frigorífico que perdeu parte de três dedos e não podia mais exercer o seu ofício, que exige as duas mãos firmes. O tribunal regional tinha fixado 45%, e o TST lembrou que o percentual mede a perda para o ofício que ele exercia, e não para qualquer trabalho.
Pensão de uma vez só
O Código Civil deixa o trabalhador pedir que a pensão seja calculada e paga de uma só vez (art. 950, parágrafo único). Mas o TST decidiu que isso não é direito automático: cabe ao juiz escolher, de forma fundamentada, entre a parcela única e a pensão mensal (Tema 77). Quando a conversão acontece, a conta usa a tábua de expectativa de vida do IBGE do início da pensão, conforme o sexo (Tema 155).
Lembrando que o TST ainda vai decidir se o juiz deve aplicar um desconto quando paga tudo de uma vez (Tema 38, pendente). Em 2019, uma Turma aplicou desconto de 30%.
Indenização acidente de trabalho: valor
A CLT traz faixas para o dano moral, de até 3, 5, 20 ou 50 vezes o último salário, conforme a ofensa seja leve, média, grave ou gravíssima (art. 223-G, § 1º). O STF decidiu em 2023 que essas faixas orientam o juiz e não são teto: dá pra fixar valor maior, desde que a decisão explique por quê.
| O caso julgado pelo TST | O que o trabalhador recebeu |
|---|---|
| Ajudante de sondagem que perdeu quatro dedos, 2017 | R$ 100 mil de dano moral e R$ 100 mil de dano estético |
| Auxiliar de enfermagem com a mão esmagada, 2010 | R$ 190.672 de danos materiais e R$ 30 mil de dano moral |
| Trabalhador de frigorífico que perdeu parte de três dedos, 2026 | Pensão de 100% do salário, além do dano moral e estético |
Cada caso tem o seu valor, que depende da gravidade da lesão, da culpa da empresa, da idade e do salário. Na leitura do escritório, não há tabela oficial de valores: o que há são as faixas da CLT e as decisões dos tribunais.
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O INSS paga indenização por acidente de trabalho?
O INSS paga o auxílio-acidente, que a própria lei chama de indenização: é devido quando a lesão consolidada deixa sequela que reduz a capacidade para o trabalho que a pessoa fazia, e vale 50% do salário de benefício, até a aposentadoria ou o óbito (Lei 8.213/1991, art. 86).
Ele não substitui a indenização da empresa. A lei diz que o pagamento do INSS não exclui a responsabilidade civil do empregador (art. 121), e o TST fixou que a pensão paga pela empresa cumula com o benefício previdenciário, porque têm naturezas diferentes (Tema 263).
Peça ao INSS a cópia da perícia e do resultado do benefício.
Indenização acidente de trabalho: prescrição
O prazo para entrar com a ação é de cinco anos, até o limite de dois anos depois do fim do contrato (Constituição, art. 7º, XXIX). Para o acidente, o TST fixou quando ele começa: na data em que o trabalhador teve ciência inequívoca da consolidação da lesão em toda a sua extensão (Tema 183), e não necessariamente no dia do acidente. As regras gerais estão em prescrição trabalhista.
Anote a data da alta e a do laudo que fechou a sequela.
Indenização acidente de trabalho com morte
Quando o acidente mata o trabalhador, quem pede é a família, que tem direito à pensão, às despesas do funeral e ao dano moral de cada familiar. As regras estão em morte em acidente de trabalho, e como o dano moral trabalhista é medido, em dano moral no trabalho.
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Falar com um advogado no WhatsAppResumindo:
| A pergunta | A resposta |
|---|---|
| Quando a empresa paga? | Com culpa dela ou em atividade de risco |
| O que se pede? | Despesas, lucros cessantes, pensão, dano moral e dano estético |
| A pensão vai até quando? | Enquanto durar a incapacidade (Tema 155) |
| Dá para receber de uma vez? | O juiz decide (Tema 77) |
| Existe tabela de valor? | Não; a CLT tem faixas que não são teto |
| O INSS desconta? | Não; o auxílio-acidente cumula (Tema 263) |
| Qual o prazo? | Conta da ciência da consolidação da lesão (Tema 183) |
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Perguntas frequentes
Quando a empresa paga indenização por acidente de trabalho?
O que a indenização por acidente de trabalho inclui?
Dano moral e dano estético podem ser pedidos juntos?
O que é a pensão vitalícia por acidente de trabalho?
A pensão por acidente de trabalho tem limite de idade?
Quem continua trabalhando recebe a pensão?
Dá para receber a indenização de uma vez só?
Qual o valor da indenização por acidente de trabalho?
Existe tabela de indenização por acidente de trabalho?
O INSS paga indenização por acidente de trabalho?
O benefício do INSS é descontado da indenização da empresa?
Qual o prazo para pedir indenização por acidente de trabalho?
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Fontes e base legal
Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados
Constituição, art. 7º, XXVIII e XXIX; Código Civil, arts. 927, 944, 949 e 950; CLT, art. 223-G; STF, ADIs 6050, 6069 e 6082 e Tema 932; Lei 8.213/1991, arts. 86 e 121; TST, Temas 38, 76, 77, 145, 155, 183, 250 e 263 e decisões de 2010, 2017, 2019 e 2026.
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