Banco pode reter salário para pagar dívida? Conta e portabilidade
✓ Atualizado em 1 de outubro de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB 51.741
Banco pode descontar dívida da conta: a autorização que a norma exige, o salário e o Tema 1.085, a conta-salário, a portabilidade, como cancelar e o que muda em 2027.
Banco pode descontar dívida da conta?
A resposta curta está numa resolução do Conselho Monetário Nacional.
Pela Resolução 4.790, de 2020, todo débito em conta de depósitos ou em conta-salário depende de autorização prévia do titular (artigo 3º). A autorização tem de ter finalidade específica, dizer qual conta será debitada, ser dada por escrito ou por meio eletrônico e ter prazo, que pode ser indeterminado.
Ou seja, sem autorização sua, o banco não desconta dívida da conta. Com autorização, pode, e é dessa autorização que tratam as regras abaixo.
Na leitura do escritório, a poupança, que é conta de depósitos, segue a mesma regra.
Empréstimo com desconto em conta: o Tema 1.085 e o salário
A resposta sobre o banco reter salário para pagar dívida mudou com o tempo.
O STJ tinha a Súmula 603, que proibia o banco de reter salário do correntista para pagar empréstimo comum, mesmo com cláusula no contrato. Ela foi cancelada pela Segunda Seção em 22 de agosto de 2018.
Hoje vale o Tema 1.085, julgado em 2022: são lícitos os descontos de parcelas de empréstimo bancário comum em conta corrente, ainda que a conta receba salário, desde que previamente autorizados pelo cliente e enquanto a autorização durar. E o limite do consignado não se aplica a esse desconto.
| A situação | O que vale |
|---|---|
| Empréstimo com desconto em conta autorizado | O banco pode descontar, sem o limite do consignado (Tema 1.085) |
| Autorização cancelada | O desconto para; a dívida continua |
| Nenhuma autorização | O banco não pode descontar (Resolução 4.790, art. 3º) |
| Consignado em folha | Segue lei própria, a Lei 10.820, com limite de margem |
Guarde a terceira linha.
A parte "enquanto a autorização durar" é o que dá ao cliente o controle: cancelada a autorização, o Tema 1.085 deixa de amparar o desconto.
Parcela atrasada, cheque especial e fatura do cartão
Para dívida de crédito, a Resolução 4.790 exige mais. A autorização tem de ser individualizada, vinculada a cada contrato, e o cliente tem de dizer de forma inequívoca se aceita dois tipos de débito (artigo 4º):
| O débito | O que a regra exige |
|---|---|
| Parcela em dia, na data combinada | A autorização do contrato basta |
| Parcela vencida, inclusive em parte | Opção expressa do cliente, em destaque no contrato |
| Débito usando o limite do cheque especial | Opção expressa do cliente, em destaque no contrato |
| Débito que deixe a conta em adiantamento a depositante | Proibido (art. 4º, § 1º) |
Dá pra ver aí a resposta para "o banco descontou a parcela atrasada da minha conta". Se o contrato não traz a sua opção, marcada em destaque, pelo débito de obrigação vencida, esse desconto não tem base na norma. Na leitura do escritório, o mesmo vale para a fatura do cartão debitada na conta.
O cheque especial, que tem teto de juros próprio, está em juros do cheque especial.
Conta-salário e portabilidade salarial
Na conta-salário, quem diz se o banco pode descontar dívida é o próprio Banco Central.
O banco da conta-salário só pode descontar parcelas de empréstimo ou financiamento diretamente nela se houver autorização prévia e formal do empregado. A Resolução 5.058, de 2022, permite usar o dinheiro da conta-salário para pagar parcelas de crédito, inclusive por débito em conta (artigo 5º), mas a regra da autorização continua valendo.
Agora, a portabilidade salarial, que é a transferência automática do salário para uma conta que você escolher.
Ela é um direito, e o banco tem até dez dias úteis para processar o pedido (Resolução 5.058, art. 7º); como pedir e cancelar está em portabilidade salarial. Só que a transferência sai pelo valor líquido: o banco pode deduzir antes, exclusivamente, as parcelas de crédito que você contratou com ele (art. 8º). Por isso, com portabilidade, o banco pode descontar essas parcelas, e só elas.
A Lei 15.252, de 2025, tornou a portabilidade salarial automática um direito em lei, e a instituição só pode recusá-la com justificativa, comunicada em até dois dias úteis (art. 5º, § 2º).
Se o banco está descontando da sua conta e você não sabe com base em quê, mande o extrato e o contrato pelo WhatsApp. A conversa inicial diz se havia autorização e se o desconto pode ser contestado.

Como cancelar o débito automático e impedir o desconto
Impedir o desconto na conta-salário e cancelar o débito automático têm a mesma porta de entrada: o artigo 6º da Resolução 4.790, que assegura ao titular o direito de cancelar a autorização de débitos.
| Onde pedir | Quando |
|---|---|
| No banco da conta ou no credor | Qualquer débito autorizado (art. 6º, parágrafo único) |
| No credor da operação de crédito | Débito de parcela de empréstimo ou financiamento (art. 9º) |
| No banco da conta | Se você não reconhece a autorização (art. 9º, parágrafo único) |
O banco da conta tem até dois dias úteis para confirmar que acatou o cancelamento (art. 8º). Faça o pedido por escrito ou pelo aplicativo e guarde o protocolo.
Lembrando: cancelar o débito não apaga a dívida. A parcela continua vencendo, e o atraso gera os encargos do contrato. E o contrato pode prever juros menores com o débito em conta e a volta à taxa cheia se você cancelar sem indicar outra conta, desde que as duas taxas estejam informadas nele (art. 14).
Banco descontou da minha conta sem autorização: o que fazer
Se o banco descontou da sua conta sem autorização, o caminho tem três passos.
Primeiro, peça ao banco a autorização que ele diz ter: finalidade, conta, prazo e, se for parcela vencida ou uso do limite, a sua opção destacada no contrato. Sem ela, o débito não tem base na Resolução 4.790.
Depois, a reclamação formal ao banco e, sem solução, ao Banco Central, pelo roteiro de como processar um banco. A devolução do que foi descontado sem base segue o Código de Defesa do Consumidor, e quando ela é em dobro está explicado em artigo 42 do CDC.
Por fim, não confunda o desconto do banco com o bloqueio judicial. O bloqueio vem de ordem do juiz, numa execução, e tem outras regras, que estão em conta bloqueada judicialmente.
Se o desconto já aconteceu, mande o extrato pelo WhatsApp. A conversa inicial diz se há o que pedir de volta.
Se é isso que está acontecendo com você, mande sua situação pelo WhatsApp. A conversa inicial serve para entender o seu caso.
Falar com um advogado no WhatsAppO que muda em 1º de julho de 2027
A Lei 15.252 foi regulamentada em maio de 2026, e parte das regras só vale a partir de 1º de julho de 2027.
Nessa data, a Resolução 4.790 e a 5.058 são revogadas (Resolução CMN 5.299), e o débito automático passa a seguir a Resolução BCB 51, alterada pela Resolução BCB 565. A base continua a mesma: autorização prévia e expressa, em termo específico, por contrato, com as opções de parcela vencida e de uso do limite marcadas pelo cliente.
A novidade é a modalidade especial de crédito com juros reduzidos (Resolução BCB 564, em vigor na mesma data). Nela, em troca de juros menores, o cliente pode aceitar um débito automático irrevogável até a quitação e a penhora integral da poupança acima de 20 salários mínimos. É proibida a autorização genérica que alcance qualquer conta, e insuficiência de saldo não conta como descumprimento.
Quem contratar essa modalidade não poderá cancelar o débito como na regra geral. Vale ler o termo específico antes de assinar.
Quando as parcelas já não cabem na renda, o caminho de todas as dívidas juntas é a Lei do Superendividamento.
Resumindo:
| A pergunta | A resposta |
|---|---|
| O banco pode descontar dívida da conta sem autorização? | Não; todo débito depende de autorização prévia (Resolução CMN 4.790, art. 3º) |
| E com autorização, mesmo sendo conta que recebe salário? | Pode, sem o limite do consignado, enquanto a autorização durar (Tema 1.085) |
| Pode descontar parcela atrasada? | Só se o contrato tiver a sua opção expressa por isso (art. 4º) |
| E da conta-salário? | Só com autorização prévia e formal (Banco Central) |
| Posso cancelar? | Sim, a qualquer tempo; a dívida continua (art. 6º) |
| O que muda em 2027? | Nova regra do débito automático e crédito com débito irrevogável (Resoluções BCB 564 e 565) |
Se o banco está descontando da sua conta e você quer uma segunda opinião, mande o extrato pelo WhatsApp. A conversa inicial serve para isso.
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Perguntas frequentes
O banco pode descontar dívida da conta sem autorização?
Estou devendo o banco. Ele pode pegar o dinheiro da minha conta-salário?
Estou devendo ao banco. Ele pode mexer na minha conta corrente?
Banco pode reter salário para pagar dívida?
O desconto de empréstimo em conta tem limite de 30%?
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O banco pode usar o cheque especial para descontar a parcela?
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Fontes e base legal
Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados
Resolução CMN 4.790/2020, arts. 1º, 3º, 4º, 6º, 8º, 9º, 10 e 14, com as alterações das Resoluções CMN 5.251 e 5.278/2025 (Banco Central); Resolução CMN 5.058/2022, arts. 5º, 7º e 8º; Resolução CMN 5.299/2026; Resoluções BCB 51/2020, 564/2026 e 565/2026; Lei 15.252/2025, arts. 2º, 4º, 5º, 7º, 8º, 10 e 16 (Planalto); Banco Central, perguntas e respostas "Conta salário e portabilidade de salário"; STJ, Tema repetitivo 1.085 (REsp 1.863.973, página oficial); STJ, Súmula 603, cancelada em 22/08/2018.
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