Advogado para pequenas causas: quando é obrigatório, quanto custa e quando compensa
✓ Atualizado em 16 de agosto de 2026 · Revisão: Dr. Fabrício Santos Cruvinel, OAB-GO 51.741
Você quer saber se dá pra entrar sozinho, quanto custaria contratar, e se vale a pena. As três respostas estão na Lei 9.099/95, e uma delas quase ninguém cobra: se o outro lado for empresa, você tem direito a assistência mesmo entrando sem advogado.
A regra está em um artigo só
O art. 9º da Lei 9.099/95 resolve a dúvida em uma linha: em causa de até 20 salários mínimos as partes comparecem pessoalmente, podendo ser assistidas por advogado; acima disso, a assistência é obrigatória.
| Valor da causa em 2026 | Advogado |
|---|---|
| Até R$ 32.420 (20 salários mínimos) | opcional |
| De R$ 32.420 a R$ 64.840 (40 salários mínimos) | obrigatório |
| Acima de R$ 64.840 | fora do Juizado, ou com renúncia ao excedente |
Os dois valores sobem em janeiro, junto com o salário mínimo. Ou seja, a mesma causa de R$ 33.000 pode exigir advogado neste ano e não exigir no ano que vem, dependendo do reajuste.
Onde ele passa a ser obrigatório mesmo em causa pequena
Tem uma situação que pega muita gente de surpresa. Você entra sozinho numa causa de R$ 5.000, perde, e decide recorrer. O art. 41, parágrafo segundo, é expresso: no recurso, as partes serão obrigatoriamente representadas por advogado. Não existe recurso sem advogado no Juizado, em nenhum valor.
E a conta muda junto. Em primeiro grau, o art. 55 diz que quem perde não paga custas nem honorários da outra parte.
Em segundo grau, quem recorre e perde paga as custas de todo o processo, inclusive as dispensadas no começo, mais honorários entre 10% e 20% do valor da condenação. Ou seja, o recurso é a fase em que ir sozinho deixa de ser possível e o erro passa a ter preço.
Se você está nesse ponto, mande a sua situação pelo WhatsApp. A conversa inicial serve para entender o caso.
Se a empresa aparecer com advogado, você tem direito a assistência
Esta é a parte que quase não circula, e está escrita na lei desde 1995.
O art. 9º, parágrafo primeiro, diz que, sendo facultativa a assistência, se uma das partes comparecer assistida por advogado, ou se o réu for pessoa jurídica ou firma individual, a outra parte terá, se quiser, assistência judiciária prestada por órgão instituído junto ao Juizado, na forma da lei local. O art. 56 completa: instituído o Juizado, serão implantadas as curadorias necessárias e o serviço de assistência judiciária.
Leia de novo o pedaço do meio. Basta o réu ser empresa. E quase todo caso de consumo tem empresa do outro lado. Na prática isso significa que o desequilíbrio de ir sozinho contra um departamento jurídico é uma situação que a própria lei previu e mandou corrigir.
O tamanho e o funcionamento desse serviço variam por estado, porque a lei manda organizar "na forma da lei local". Vale perguntar no balcão do Juizado da sua cidade antes de assumir que não existe.
O que muda de verdade entre ir sozinho e ir com advogado
Sem promessa de resultado, porque isso ninguém pode dar. O que muda é o seguinte:
| Sozinho, pela atermação | Com advogado | |
|---|---|---|
| Custo inicial | zero | honorários combinados |
| Quem escreve o pedido | um servidor, a partir do seu relato | quem vai defender o pedido depois |
| Valor pedido | costuma sair conservador | calculado com material e moral somados |
| Provas | você junta o que lembrar | levantamento antes de protocolar |
| Audiência | você conduz sozinho | acompanhado, com a sua presença ainda obrigatória |
| Recurso | não é possível sem advogado | possível |
A diferença que mais aparece na prática não é a audiência, é o pedido inicial. O Juizado julga o que foi pedido, e pedido mal formulado limita o resultado mesmo quando o caso é bom. Corrigir isso depois é difícil.

Quanto custa contratar
Em primeiro grau não há custas processuais, então o investimento é o honorário, e ele é livremente combinado entre você e o escritório, por contrato escrito.
Existem dois formatos comuns, e eles se combinam. O honorário fixo, pago no começo ou parcelado, e o honorário de êxito, que é um percentual do que você efetivamente receber e só é devido se houver resultado. Em causa de consumo de valor menor, o arranjo com peso maior no êxito costuma ser o que faz o caso caber no bolso de quem entra.
Pergunte, antes de assinar: qual é o valor fixo, qual é o percentual de êxito, sobre o que ele incide, e o que acontece se o caso for perdido ou se houver acordo. Contrato de honorários que não responde essas quatro perguntas por escrito não está pronto.
Advogado gratuito: as portas que existem de verdade
São três, e servem para coisas diferentes.
A mais usada é a atermação, que é a porta de quem quer entrar sozinho. Você vai ao balcão do Juizado, conta o que aconteceu e um servidor transforma o relato em petição. Não custa nada, não exige advogado até 20 salários mínimos e resolve bem caso simples e documentado, mas resolve só até onde o seu relato alcançar.
Depois vem a Defensoria Pública, que atende quem comprova insuficiência de recursos. A disponibilidade varia bastante por comarca, e como no Juizado a parte pode entrar sozinha até 20 salários mínimos, muitas unidades priorizam outras demandas. Consulte a Defensoria do seu estado em vez de supor.
E tem a assistência judiciária junto ao Juizado, dos arts. 9º e 56, que é a menos conhecida das três e é justamente a da seção acima: ela nasce quando o outro lado tem advogado ou é empresa.
Lembrando de uma confusão frequente: justiça gratuita e advogado gratuito não são a mesma coisa. Justiça gratuita dispensa custas e despesas do processo. Advogado gratuito é assistência. No Juizado, o primeiro grau já é sem custas para todo mundo, o que torna o pedido de justiça gratuita quase sempre desnecessário ali.
Nem todo caso precisa virar processo
Vale saber disso antes de contratar qualquer coisa. O art. 57 permite que um acordo extrajudicial, de qualquer natureza ou valor, seja homologado em juízo e valha como título executivo judicial.
O efeito prático é grande: dá pra negociar diretamente com a outra parte, colocar o combinado no papel, levar para homologação e sair com um documento que, se for descumprido, se executa direto, sem precisar discutir o mérito de novo. Não tem audiência de instrução, não tem prova, não tem sentença. Muito caso de cobrança e de consumo resolve assim, e resolve mais rápido do que qualquer processo.
Nesses casos dá pra usar advogado só na negociação e na homologação, o que é um trabalho bem menor do que uma ação inteira. Mande a sua situação pelo WhatsApp se quiser saber se o seu caso comporta esse caminho.
Se é isso que está acontecendo com você, mande sua situação pelo WhatsApp. A conversa inicial serve para entender o seu caso.
Falar com um advogado no WhatsAppO que perguntar antes de contratar
Cinco perguntas que separam proposta séria de proposta apressada:
- Qual o valor que você pretende pedir, e como chegou nele
- O caso cabe no teto do Juizado ou vai para a Justiça comum
- Que provas faltam, e o que eu preciso providenciar
- Qual o prazo realista até a primeira audiência nesta comarca
- Como fica o honorário se houver acordo na conciliação
E um sinal de alerta, dito sem rodeio: quem promete valor de indenização antes de ler o caso está vendendo, não analisando. Não existe tabela de dano moral, e o valor sai do juiz que ouviu o caso.
Resumindo: até R$ 32.420 a assistência de advogado é opcional, acima disso é obrigatório, no recurso é sempre obrigatório, e se o outro lado for empresa a lei te dá direito a assistência.
Lembrando que o primeiro grau não cobra custas de ninguém, então a decisão de contratar é sobre a qualidade do pedido e não sobre taxa de entrada. Se você quer que alguém olhe o seu caso antes de você decidir, fale com um advogado do escritório pelo WhatsApp.
Guias úteis aqui no site
- Como funciona o Juizado de Pequenas Causas
- Como abrir um processo no Juizado, passo a passo
- Quanto custa um processo no Juizado
- Como processar uma empresa
- Dano moral: quando o transtorno vira indenização
- Como registrar sua reclamação no consumidor.gov.br
- Advogado de pequenas causas online: dá para resolver sem sair de casa?
Como o escritório atua em casos como o seu
- Análise dos seus documentos e da sua situação
- Ação no Juizado Especial — 100% digital, para todo o Brasil
- Você acompanha cada andamento pela Área do Cliente
A conversa inicial serve para entender o seu caso. Atendimento em todo o Brasil, seg–sex, 8h–20h.
Perguntas frequentes
Pequenas causas precisa de advogado?
Advogado para pequenas causas: quanto custa?
Existe advogado gratuito para pequenas causas?
Dá pra entrar no Juizado sem advogado?
O Juizado de Pequenas Causas é gratuito?
A Defensoria Pública atende causa de Juizado?
Preciso de advogado para recorrer da sentença?
Entrei sozinho e a empresa veio com advogado. E agora?
Minha causa é de R$ 40.000. Preciso de advogado?
Se eu perder, tenho que pagar o advogado da empresa?
Posso contratar advogado depois de já ter entrado sozinho?
Advogado de outra cidade pode pegar meu caso?
O que é atermação no Juizado?
O advogado pode ir na audiência no meu lugar?
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Fontes e base legal
Ver a legislação, os julgados e os endereços consultados
Lei 9.099/95, artigos 9º e parágrafos, 41 §2º, 42, 51 I, 54, 55, 56 e 57; Lei 13.994/2020 (conciliação por videoconferência); Constituição Federal, artigo 134, e Lei Complementar 80/94 (Defensoria Pública); salário mínimo de 2026 fixado em R$ 1.621.
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